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Rodrigo LaminBiomimética aplicada aos negócios

Fundador & Continuidade

Por que decidi criar a Árvore do Cultivo

Quando olho para trás, percebo que a Árvore do Cultivo não nasceu em um único momento. Ela foi sendo cultivada ao longo de muitos anos, sem que eu sequer percebesse.

Grandes raízes espalhadas pelo chão da floresta

Quando olho para trás, percebo que a Árvore do Cultivo não nasceu em um único momento. Ela foi sendo cultivada ao longo de muitos anos, sem que eu sequer percebesse.

Minha primeira grande escola foi a Involves. A empresa nasceu literalmente no quarto da minha casa, sem investimento externo, sem grandes estruturas e sem um plano perfeito. Durante todo o período em que estive à frente da operação como CEO, crescemos de forma orgânica, reinvestindo os próprios resultados e aprendendo diariamente com nossos erros e acertos.

Involves

Anos depois, já em uma nova fase da empresa, a Involves captou cerca de R$ 90 milhões para acelerar sua expansão internacional. Sempre gosto de lembrar dessa trajetória porque ela demonstra que grandes organizações não precisam começar grandes, no meu caso foi literalmente uma semente. Geralmente começam pequenas, frágeis e cheias de incertezas.

Foram mais de dez anos dedicados à construção de uma empresa que se tornou referência em tecnologia para Trade Marketing, em um cenário nacional onde quase não se falava sobre essa disciplina, presente em dezenas de países e reconhecida diversas vezes como uma das melhores empresas para trabalhar no Brasil.

Vivi intensamente os desafios de contratar pessoas, aprender a liderar, engajar pessoas, desenvolver lideranças, fortalecer cultura boa, criar produtos, conquistar clientes e fazer um negócio crescer de forma sustentável. Foi uma experiência extraordinária, mas também foi ali que começaram as perguntas que, anos depois, dariam origem à Árvore do Cultivo.

Sempre que uma empresa enfrentava dificuldades, a resposta quase automática era criar um novo processo, uma nova ferramenta, um novo indicador ou uma nova metodologia. Muitas vezes isso resolvia o problema imediato, mas eu tinha a sensação de que estávamos tratando sintomas, e não a origem. Quanto mais eu estudava organizações, mais me perguntava por que empresas com estratégias semelhantes produziam resultados tão diferentes. Aos poucos, comecei a perceber que as respostas não estavam apenas na estratégia ou na execução. Havia algo mais profundo sustentando, ou limitando, o crescimento de qualquer organização.

Depois do meu exit da Involves, vivi um período extremamente difícil intimamente, mas que considero essencial na minha trajetória. Em vez de iniciar imediatamente um novo negócio, escolhi amadurecer. Passei alguns anos observando, estudando, ouvindo pessoas, me reconectando comigo mesmo e com a natureza e refletindo sobre tudo o que havia vivido como empreendedor. Pela primeira vez, eu tinha tempo para compreender não apenas o que deu certo ou errado, mas por que aquilo havia acontecido.

Foi nesse período que nasceu o Espaço Cambirela. Mais do que um lugar, ele se tornou um ambiente de contemplação, encontros e aprendizado. Cercado pela natureza, comecei a perceber que ela possuía respostas que raramente buscávamos no mundo dos negócios. Enquanto observava a floresta ao redor da minha cabana, entendia que nenhuma árvore tenta produzir frutos antes de desenvolver raízes profundas. Nenhuma cresce isolada. Nenhuma prospera sem um solo saudável. Aquilo parecia óbvio na natureza, mas raramente era respeitado dentro das empresas.

Foi ali que comecei a abandonar uma metáfora que sempre acompanhou o mundo da gestão: a ideia de que organizações são máquinas. Máquinas precisam de peças, manutenção e controle. Organizações, porém, são organismos vivos. São feitas de pessoas que criam vínculos, desenvolvem confiança, aprendem, erram, ensinam, inspiram e transformam umas às outras. Quanto mais eu observava, menos sentido fazia continuar tratando algo vivo como se fosse um equipamento industrial, apesar do aparato tecnológico necessário para ganho de eficiência operacional.

Algum tempo depois nasceu o Gigante do PDV. O que começou como um movimento para gerar mais conhecimento, valorização e prosperidade para profissionais de Trade Marketing rapidamente se transformou em um espaço de aprendizado coletivo. Passei a conversar com promotores, líderes, executivos, empresários e especialistas de diferentes segmentos, ouvindo suas histórias, seus desafios e suas conquistas.

Foi então que percebi um padrão que se repetia de forma impressionante.

Os problemas aparentes eram diferentes. Algumas empresas sofriam com vendas, outras com liderança, outras com cultura, inovação ou crescimento. Mas, quando aprofundávamos a conversa, quase sempre encontrávamos as mesmas causas: relações fragilizadas, propósito pouco claro, ambientes que deixavam de estimular o aprendizado e lideranças tentando controlar aquilo que, na verdade, precisava ser cultivado.

Essas conversas reforçaram uma convicção que vinha amadurecendo dentro de mim. Talvez o maior erro da gestão moderna tenha sido acreditar que organizações podem ser construídas da mesma forma que se constrói um prédio. Prédios ficam prontos. Organizações nunca ficam prontas. Elas estão vivas. Crescem, adoecem, florescem, enfrentam períodos difíceis, renovam ciclos e precisam ser cuidadas continuamente.

Foi nesse momento que compreendi que a maior riqueza da minha jornada não estava na empresa que ajudei a construir, mas nos aprendizados acumulados ao longo do caminho. Os acertos me mostraram possibilidades. Os erros me ensinaram aquilo que dificilmente se aprende em livros ou cursos. Aos poucos, nasceu em mim um desejo muito claro: compartilhar essa experiência com outros empreendedores para que eles também pudessem construir organizações mais saudáveis, mais humanas e mais prósperas.

Foi desse desejo que nasceu a Árvore do Cultivo.

Ela não nasceu como uma consultoria, nem como uma metodologia pronta ou um novo modelo de gestão. Nasceu como uma forma de organizar tudo aquilo que aprendi empreendendo, observando a natureza e convivendo com milhares de líderes ao longo dos últimos anos.

Também nasceu de uma mudança de pergunta.

Durante muito tempo procurei entender como construir empresas melhores. Hoje acredito que a pergunta mais importante seja outra: como cultivar organismos capazes de prosperar ao longo do tempo?

Essa mudança parece pequena, mas transforma completamente a forma como enxergamos uma organização.

Quando pensamos em construção, nossa tendência é priorizar velocidade, controle e previsibilidade. Quando pensamos em cultivo, entendemos que existem ciclos, que cada organismo possui sua própria identidade e que não existe crescimento sustentável sem raízes saudáveis.

Foi por isso que a Árvore do Cultivo passou a organizar organizações a partir de elementos que sempre existiram na natureza: a semente, as raízes, o solo, o tronco, os galhos, as folhas e os frutos. Não como uma metáfora bonita, mas como uma maneira diferente de observar aquilo que já acontece dentro de qualquer empresa, movimento ou organização humana.

Hoje acredito que meu papel não seja ensinar pessoas a construir empresas. Meu propósito é ajudá-las a enxergar a árvore que já existe dentro de suas organizações, identificar os padrões que sustentam seu crescimento e criar as condições para que esse organismo cresça de forma coerente com sua própria essência.

A Involves me ensinou a empreender. O Espaço Cambirela me ensinou a observar. O Gigante do PDV me mostrou que desafios completamente diferentes quase sempre compartilham as mesmas raízes. A Árvore do Cultivo nasceu justamente da união dessas três experiências.

Não a vejo como o ponto de chegada da minha trajetória. Vejo como o início de uma nova forma de compreender organizações. Uma forma inspirada pela natureza, fortalecida pela experiência e sustentada pela convicção de que prosperidade duradoura não nasce apenas de boas estratégias, mas da capacidade de cultivar ambientes onde pessoas possam confiar, aprender, criar e crescer juntas.

Afinal, toda grande árvore um dia foi apenas uma pequena semente. E talvez o papel de um empreendedor nunca tenha sido apenas construir empresas, mas cultivar a vida que existe dentro delas.

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